Leituras do mês | Março de 2020

Em meio à loucura que têm sido os últimos dias, restou-me buscar conforto naquilo que mais me fascina: a literatura. Mais do que uma simples distração, constitui uma importante ferramente na análise do contexto em que vivemos – sempre adotando diferentes perspectivas a fim de ampliar o nosso olhar.


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“A Paixão segundo G.H.”, de Clarice LispectorComo sempre, a leitura das obras de Clarice tem me suscitado enorme fascínio. Como a história do encontro entre uma mulher e uma simples barata é capaz de nos proporcionar questionamentos tão angustiantes? Arrisco dizer que, possivelmente, o mais aterrador seja a nossa incapacidade de encontrar uma resposta para as dúvidas da existência humana.

“Eva Luna”, de Isabel Allende: Em seguida, pude entrar em contato com a escrita de Isabel Allende. Iniciei a leitura como uma página em branco, dispondo de poucas informações a respeito da obra, e fui gradativamente envolvida pela narrativa – de modo que, ao final, senti-me arrebatada. Enquanto amante da literatura, foi-me uma experiência única conhecer Eva Luna – uma contadora de histórias nata e em cuja trajetória as palavras desempenham papel essencial.

“Mal-Entendido em Moscou”, de Simone de Beauvoir: Li ainda uma novela que, apesar de breve, aborda diversos temas relevantes – como o envelhecimento e os conflitos humanos. Acompanhando o casal André e Nicole em uma viagem à URSS, somos levados a adentrar em seus pensamentos e emoções em meio a esse estágio da vida – repleto de estigmas que minimizam a dignidade humana. Sem dúvidas, foi uma leitura excelente para refletir ante o cenário de crise que vivenciamos.

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“Coração das Trevas”, de Joseph Conrad: Adentrei ainda na natureza desumana da colonização europeia, a partir da perspectiva Marlow – novo integrante da missão no Congo. Contudo, as reflexões suscitadas ultrapassam tal percepção, apontando o poder de convencimento de líderes que, com seus discursos inflamados, encontram apoiadores para suas ideias bárbaras e inverossímeis. Cabe ressaltar que o livro apresenta uma visão eurocêntrica quanto aos povos nativos. Portanto, é de suma importância analisá-lo sob uma ótica contemporânea, compreendendo o tempo e o espaço no qual foi escrito.

“Mayombe”, de Pepetela: Por fim, tive uma experiência incrível ao ler essa obra da literatura angolana. Ambientado durante a Guerra de Independência do país, o livro faz uso de um cenário político, sob a perspectiva dos movimentos de guerrilha, para abordar as individualidades humanas. Considero-a uma narrativa relevante frente ao mundo de rótulos em que vivemos, onde por vezes nos esquecemos do “cinza”, daquilo que paira entre o sim e o não, dos entremeios. Afinal, a vida é intrinsecamente subjetiva, estando acima dos conceitos objetivos e limitados com os quais tentamos rotulá-la.


Já leram alguma das obras citadas? Se sim, adoraria saber suas impressões!

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